Em 1959, Fidel Castro tomou o poder em Cuba prometendo libertar o povo da ditadura de Fulgencio Batista. Sessenta e sete anos depois, Cuba continua sendo uma ditadura — mas agora com o Partido Comunista no controle de absolutamente tudo: a imprensa, a economia, as ruas, os vizinhos e até o que você pode pensar em voz alta.

O que mudou foi o nome do opressor. O que não mudou foi a opressão.
Da “revolução” à prisão de um povo inteiro
A Revolução Cubana de 1959 começou com promessas de reforma agrária, educação e saúde para todos. O que veio depois foi a estatização total da economia, a extinção da propriedade privada, o fechamento de jornais independentes, a perseguição sistemática a religiosos, dissidentes e homossexuais, e a construção de um aparato de vigilância que transforma cada vizinho em potencial informante do Estado.
Os Comitês de Defesa da Revolução — criados ainda na década de 1960 — são a espinha dorsal desse sistema. São cidadãos comuns recrutados para vigiar atividades de vizinhos e reportar ao regime qualquer comportamento suspeito: comprar no mercado negro, desobedecer ordens do Partido Comunista ou participar de movimentos de oposição. Segundo a Gazeta do Povo, esse sistema foi planejado para evitar ações repressivas constantes pela polícia política, reduzindo custos para o Estado ao transformar a própria população em instrumento de controle.
Quando o sistema de vigilância falha, entram os “boinas negras” — a Brigada Especial Nacional das Forças Armadas Revolucionárias, flagrada em vídeo invadindo casas para prender moradores sem mandado judicial.
A vida real de quem nasceu em Cuba
Cuba tem hoje uma das maiores populações carcerárias do mundo, segundo o World Prison Brief. Mais de 1.100 presos políticos — número registrado pela ONG Prisoners Defenders em 2024, após 13 novas detenções em um único mês de abril. Entre os presos está a jornalista Mayelín Rodríguez Prado, condenada a 15 anos de prisão por “propaganda inimiga” após transmitir protestos em seu bairro. E Carlos Michael Morales, jornalista independente preso duas vezes — a segunda por “desobediência e desacato” depois de ser pressionado a abandonar a profissão.
Outra jornalista, Luz Escobar, passou 18 dias sem poder sair de casa — sem ser presa, sem acusação formal. Um funcionário da Segurança do Estado simplesmente foi colocado na entrada do seu prédio. A única vez que saiu foi para tomar a vacina, escoltada.
Isso não é exceção. É o sistema funcionando como foi desenhado.
No plano econômico, a realidade é igualmente brutal. Em março de 2026, Cuba registrou seu quinto colapso elétrico parcial ou total em menos de seis meses, segundo o Poder360. Um colapso total deixou 10 milhões de pessoas sem energia. Em fevereiro, 63% do país ficou sem luz simultaneamente — o maior apagão desde que o governo começou a publicar estatísticas em 2022. Atualmente, segundo a Agência EFE, grande parte do país tem fornecimento de eletricidade por apenas quatro horas por dia — muitas vezes de madrugada.
A Agência Brasil confirma: sete das 16 centrais termoelétricas cubanas estão fora de operação. A infraestrutura é soviética, tem mais de 40 anos e as peças de reposição pararam de ser fabricadas com o fim da URSS em 1991.
Os protestos de 2021 — e a resposta do regime
Em 11 de julho de 2021, algo inédito aconteceu em Cuba: milhares de pessoas foram às ruas aos gritos de “temos fome” e “abaixo a ditadura.” Eram os maiores protestos desde a revolução de 1959.
A resposta do regime foi imediata. Segundo a Swiss Info, um morto, dezenas de feridos e centenas de detidos. Os “boinas negras” foram às ruas. Casas foram invadidas. Manifestantes receberam penas de até 15 anos de prisão. Entre 2025 e 2026, a ONG Justiça 11J denunciou que 46 presos morreram nos presídios cubanos por “negação ou atraso deliberado no atendimento médico.”
Em 2024, a ditadura aprovou a Lei de Comunicação Social, que determina que “todos os veículos de comunicação são de propriedade do Estado” — tornando a imprensa livre legalmente impossível. A ONU reprovou Cuba em dezenas de pontos em sua Revisão Periódica Universal, incluindo prisões arbitrárias, manutenção da pena de morte e inexistência de pluralidade política.
E Lula chama isso de vítima
Enquanto cubanos morrem em presídios por falta de atendimento médico, enquanto jornalistas são presos por filmar protestos, enquanto a população dorme sem luz e acorda às 3h da manhã para aproveitar uma janela de energia — o presidente do Brasil vai a Havana, aperta as mãos de Díaz-Canel e declara que Cuba é “vítima de um embargo ilegal dos Estados Unidos.”
Em 2024, o governo Lula enviou 125 toneladas de leite em pó a Cuba — com dinheiro público brasileiro — sem que o país estivesse em guerra ou tivesse sofrido nenhum desastre natural. Segundo o Crusoé, o objetivo era aplacar insatisfações do povo cubano para evitar novos protestos e mudança de regime.
O programa Mais Médicos, conforme o editorial da Gazeta do Povo, funcionou como mecanismo de financiamento à ditadura: os médicos cubanos recebiam o salário pelo governo brasileiro, mas o regime ficava com a maior parte do valor — deixando ao profissional apenas uma fração, em moeda local desvalorizada.
Lula ainda agradeceu ao regime cubano pelas “demonstrações de solidariedade” durante os 19 meses que passou preso por corrupção. É isso: o presidente do Brasil tem gratidão pessoal a uma ditadura que prende e mata quem discorda.
Cuba não é vítima do embargo americano. Cuba é vítima de 67 anos de comunismo. A diferença importa — e o mundo que fecha os olhos para isso é cúmplice do que acontece lá dentro.
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FONTES:
1. Swiss Info — Mais de 40 presos morreram em presídios de Cuba entre 2025 e 2026 (mar/2026)
2. Gazeta do Povo — Ditadura comunista: como funciona o sistema de repressão de Cuba (jul/2021)
3. Gazeta do Povo — Número de presos políticos em Cuba chega a 1,1 mil (mai/2024)
4. Gazeta do Povo — Ditadura cubana altera leis para suprimir direitos (abr/2024)
5. Gazeta do Povo — Lula e os ditadores latino-americanos (ago/2022)
6. Poder360 — Cuba sofre apagão total e deixa 10 milhões sem energia (mar/2026)
7. Agência Brasil — Cuba tem colapso parcial do sistema elétrico; 3,4 milhões afetados (fev/2026)
8. Revista Oeste — Em Cuba, Lula vitimiza ditadura e defende regulação de redes (set/2023)
9. Crusoé — Governo petista manda alimentos para fortalecer a ditadura cubana (fev/2024)
10. CNN Brasil — Entenda a relação de Lula e do PT com as “ditaduras de esquerda” (set/2024)