A reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-presidente americano Donald Trump, ocorrida em Kuala Lumpur, na Malásia, em 26 de outubro de 2025, foi vendida pela máquina de propaganda do governo brasileiro como uma “vitória diplomática” e um “degelo” nas relações bilaterais [1]. No entanto, ao se analisar os fatos e, principalmente, as respostas contundentes e frias do entorno de Trump, o que se revela é uma farsa diplomática que expôs a fragilidade e a subordinação do Brasil, além de uma tentativa patética de Lula de legitimar o ilegitimável.
A Tese da Subordinação e da Falácia
A tese central deste artigo é que o encontro entre Lula e Trump não passou de uma “diplomacia da foto” [2], um espetáculo vazio de resultados concretos, mas repleto de recados duros por parte dos americanos que desmantelaram a narrativa triunfalista do Planalto. Lula tentou usar o palco internacional para dois objetivos principais: implorar a retirada de tarifas econômicas e, de forma ainda mais grave, tentar legitimar o processo judicial que condenou seu principal adversário político, Jair Bolsonaro, perante um líder que já havia demonstrado ceticismo sobre o tema [3].
O tiro, contudo, saiu pela culatra. Enquanto Lula celebrava a cordialidade, os secretários de Trump, notadamente Marco Rubio, tratavam a reunião com a seriedade de quem defende os interesses nacionais americanos, deixando claro que a suspensão das tarifas está diretamente condicionada à resolução de questões que envolvem a soberania digital e a atuação controversa do Supremo Tribunal Federal (STF) brasileiro [4]. A cordialidade de Trump não significou o fim das tarifas, mas sim um ultimato diplomático que o governo brasileiro, em sua cegueira ideológica, parece não ter compreendido.
Narração dos Fatos: O Vazio por Trás do Sorriso
O encontro, realizado à margem da cúpula da ASEAN, foi o primeiro contato pessoal entre os dois líderes desde a vitória de Trump nas eleições americanas. Lula, segundo relatos, levou uma “longa pauta” [5], que incluía a remoção das tarifas de 50% sobre aço e alumínio e a sobretaxa de 40% sobre outros produtos brasileiros, além da retirada das sanções da Lei Magnitsky impostas a autoridades brasileiras [6].
As “Baboseiras” de Lula
A declaração mais controversa de Lula, e que gerou a reação mais incisiva do lado americano, foi sua tentativa de defender o sistema judicial brasileiro. Segundo o próprio Secretário de Relações Institucionais do Brasil, Mauro Vieira, Lula teria dito a Trump que o julgamento de Jair Bolsonaro no STF “seguiu o processo legal” [3].
Esta declaração, além de ser uma interferência indevida do Poder Executivo em questões do Judiciário, é uma baboseira que tenta apagar o histórico de perseguição política e o ativismo judicial que marcam o processo. Lula tentou convencer Trump da lisura de um processo que é visto com profunda desconfiança por amplos setores da sociedade brasileira e, mais importante, por figuras-chave do governo americano.
Outra “baboseira” foi o pedido de Lula para que Trump retirasse as sanções da Lei Magnitsky. Essa lei permite aos EUA punir indivíduos estrangeiros envolvidos em violações de direitos humanos e corrupção. Ao pedir a retirada dessas sanções, Lula se colocou na posição de defensor de autoridades brasileiras que estão sob suspeita de violar princípios democráticos e de liberdade de expressão, um movimento que apenas reforça a percepção americana de que há um problema sério de autoritarismo judicial no Brasil.
Os Recados Frios e Cirúrgicos de Trump
A resposta de Trump não foi direta, mas foi executada de forma cirúrgica por seu entorno. O Secretário de Estado, Marco Rubio, um republicano linha-dura e notório crítico do governo Lula e do ativismo judicial brasileiro [7], foi o porta-voz do ultimato americano.
Rubio deixou claro que as tarifas e as questões políticas estão “interligadas” [4]. Ele destacou que Trump exploraria com Lula a questão da atuação dos juízes brasileiros, que têm tratado de forma hostil o setor digital dos Estados Unidos e as postagens em mídias sociais de pessoas em solo americano [8].
A Humilhação do STF e a Subordinação à China
A reunião, longe de ser uma vitória, foi uma humilhação para o governo Lula e, principalmente, para o Supremo Tribunal Federal. O fato de o Secretário de Estado americano condicionar o alívio econômico à mudança na atuação de juízes brasileiros é um atestado de que, na visão de Washington, o STF está agindo de forma autoritária e antidemocrática, interferindo na liberdade de expressão e nos interesses de empresas americanas.
O STF no Banco dos Réus da Diplomacia
A crítica de Rubio à forma como “alguns de seus juízes têm tratado o setor digital dos Estados Unidos e as postagens em mídias sociais de pessoas em solo americano” [4] é uma referência direta às decisões monocráticas e aos inquéritos que têm silenciado críticos do governo e da própria Corte, atingindo diretamente plataformas como X (antigo Twitter) e Meta.
O economista José Pio Martins resumiu a gravidade da situação:
“Penso que mais do que o problema do Bolsonaro, a preocupação de Trump é com a Suprema Corte do Brasil agindo como a Suprema Corte da Venezuela. Isso é um experimento esquerdista de como implantar um regime autoritário via sistema judicial.” [4]
Esta é a tese que a esquerda tenta desesperadamente desmentir: o ativismo judicial no Brasil é percebido internacionalmente, por líderes conservadores, como um experimento autoritário que ameaça a democracia e a liberdade. Lula, ao defender o processo de Bolsonaro, tentou limpar a imagem do STF, mas apenas conseguiu expor a Corte ao escrutínio e à crítica direta de um dos homens mais poderosos da política americana.
O Eixo China-Lula: A Verdadeira Preocupação Americana
O pano de fundo da reunião é a disputa geopolítica entre EUA e China. O governo Trump está determinado a não deixar que a América Latina siga um trajeto de subordinação econômica e ideológica aos interesses de Pequim [4].
Rubio foi enfático ao dizer que é benéfico ao Brasil ter os EUA como “parceiro comercial preferencial, em vez da China” [4]. Esta é a verdadeira moeda de troca: a suspensão das tarifas e o avanço nas negociações estão condicionados ao afastamento do Brasil da influência chinesa.
Lula, com sua retórica de “Sul Global” e sua proximidade com regimes autoritários como a Venezuela (que Rubio fez questão de citar [8]), está colocando o Brasil em uma posição perigosa. Ele tenta agradar a China, o maior parceiro comercial do Brasil, mas ao fazê-lo, atrai a retaliação e a desconfiança da maior potência do Ocidente. A diplomacia de Lula é um ato de equilibrismo ideológico que arrisca a prosperidade e a segurança nacional em nome de uma agenda esquerdista.
A Lição do “Vitorioso”
A imprensa alinhada ao governo tentou celebrar a “cordialidade” de Trump, mas um analista da CNN, Lourival Santanna, revelou o que realmente motivou o encontro: Trump vê Bolsonaro como “página virada” e “perdedor” e, por isso, busca diálogo com Lula, o “vitorioso” [9].
Esta análise, embora possa ser interpretada como um elogio a Lula, é, na verdade, um retrato da política de poder americana. Trump não está interessado em ideologia, mas em resultados e em quem tem o poder de entregar o que ele precisa (o afastamento da China e a proteção dos interesses digitais americanos). Lula, ao se vangloriar de ser o “vitorioso”, ignora que está sendo usado como um instrumento na geopolítica americana, e que a cordialidade de Trump é apenas uma tática para atingir objetivos estratégicos que vão de encontro à agenda do Planalto.
Conclusão: O Preço da Incompetência Diplomática
O encontro Lula-Trump foi um fracasso estratégico para o Brasil e uma vitória tática para os Estados Unidos. Lula saiu da Malásia com fotos sorridentes, mas com as tarifas mantidas e um ultimato claro: resolva o problema do STF e afaste-se da China.
A tentativa de Lula de defender o processo de Bolsonaro e de pedir o fim das sanções Magnitsky foi uma baboseira que apenas reforçou a percepção de que o Brasil está sob o risco de um autoritarismo judicial e que o atual governo está mais preocupado em proteger aliados e a agenda ideológica do que os interesses da nação.
A lição é clara: a diplomacia não é um palco para vaidades ideológicas. É um instrumento técnico de defesa dos interesses nacionais. E, neste encontro, o Brasil demonstrou uma incompetência diplomática que custará caro em termos econômicos e de soberania. A verdade é que Lula, ao tentar se vender como o “vitorioso”, apenas se expôs como o subordinado que implora por migalhas, enquanto o Ocidente exige que o Brasil retome o caminho da liberdade e da ordem democrática.
Referências
[1] Reunião com Trump foi ‘tremenda vitória’ de Lula, mas não… BBC News Brasil. https://www.bbc.com/portuguese/articles/c891e7ynwdyo
[2] Diplomacia da foto: o encontro Lula–Trump e o vazio de resultados. Gazeta do Povo. https://www.gazetadopovo.com.br/ideias/diploacia-encontro-lula-trump-resultados/
[3] Lula disse a Trump que julgamento de Bolsonaro seguiu processo legal e que Magnitsky é injusta, segundo secretário. G1. https://g1.globo.com/politica/post/2025/10/26/lula-citou-bolsonaro-durante-reuniao-com-trump.ghtml
[4] China, STF e Magnitsky: os recados de Trump que frustram oba-oba de Lula. Gazeta do Povo. https://www.gazetadopovo.com.br/republica/china-venezuela-stf-e-magnitsky-os-recados-de-trump-que-frustram-lula/
[5] Reunião Lula e Trump: Saiba o que foi discutido durante o encontro. CNN Brasil. https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/reuniao-lula-e-trump-saiba-o-que-foi-discutido-durante-o-encontro/
[6] Trump pode reduzir tarifas sobre Brasil e prevê encontro… G1. https://g1.globo.com/economia/noticia/2025/10/25/trump-sinaliza-que-pode-reduzir-tarifas-sobre-o-brasil-nas-circunstancias-certas.ghtml
[7] Republicano linha dura e crítico de Lula: quem é Marco Rubio, secretário de Trump… O Globo. https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2025/10/16/republicano-linha-dura-e-critico-de-lula-quem-e-marco-rubio-secretario-de-trump-que-se-reune-com-chanceler-brasileiro.ghtml
[8] Trump explorará com Lula se há como resolver questões de juízes, diz Rubio. CNN Brasil. https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/trump-explorara-com-lula-se-ha-como-resolver-questoes-de-juizes-diz-rubio/
[9] Trump trocou Bolsonaro por Lula por considerá-lo “perdedor”, diz Lourival Santanna. CNN Brasil. https://www.cnnbrasil.com.br/blogs/lourival-santanna/internacional/trump-trocou-bolsonaro-por-lula-por-considera-lo-perdedor/