A cena que o Brasil viu na manhã desta quinta-feira, 26 de fevereiro, resume tudo o que há de mais podre na política brasileira: quando a investigação finalmente aperta o colarinho, a resposta é o punho cerrado.
O Que Aconteceu: Os Fatos Sem Filtro
A sessão da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS — criada para investigar as fraudes milionárias que desviaram dinheiro dos aposentados e pensionistas brasileiros — terminou em briga generalizada na manhã desta quinta-feira.
O estopim? A aprovação da quebra dos sigilos bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Após o presidente da comissão, o senador Carlos Viana (Podemos-MG), anunciar a aprovação dos requerimentos em votação simbólica — incluindo o pedido que abre as contas de Lulinha entre janeiro de 2022 e janeiro de 2025 —, parlamentares da base governista avançaram fisicamente sobre a mesa diretora da comissão.
O deputado Rogério Correia (PT-MG) foi um dos que partiram para cima, chegando a dar um soco no deputado Luiz Lima (Novo-RJ). O próprio petista admitiu a agressão e pediu desculpas ao colega. Correia também avançou contra o relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), autor do requerimento de quebra de sigilo de Lulinha, com ofensas e acusações.
O chefe de gabinete de Correia ainda tentou invadir a área reservada a parlamentares no plenário. A Polícia Legislativa foi acionada para conter a situação, e a transmissão pela TV Senado foi derrubada durante a confusão.
A sessão foi interrompida por 15 minutos. Ao retornar, o clima continuou hostil.

O “Grito de Fraude”: A Narrativa Petista em Detalhe
Antes das agressões físicas, o deputado Paulo Pimenta (PT-RS), líder da bancada governista na CPMI, tentou contestar o resultado da votação alegando fraude na contagem de votos.
“Eu comunico a vossa excelência que nós vamos interpretar como uma ação deliberada do senhor para fraudar o resultado da votação. (…) Vossa excelência está dando um golpe na votação”, disse Pimenta ao presidente Carlos Viana.
Segundo Pimenta, a votação teria sido 14 a 7 contra a aprovação dos requerimentos. Carlos Viana rebateu diretamente:
“Para que a pauta fosse derrubada em bloco, era necessário que o governo apresentasse a maioria dos votos ou 15 parlamentares presentes no painel. Apresentaram sete votos contrários, e eu contei duas vezes. Então, a pauta foi aprovada em sua integralidade.”
Pimenta anunciou que vai judicializar a decisão e abrir representação no Conselho de Ética contra Carlos Viana por suposta fraude.
📦 Mito vs. Fato
| MITO (versão governista) | FATO (o que os registros mostram) |
|---|---|
| “A votação foi 14 a 7 contra os requerimentos” | O presidente contou 7 contrários. Para derrubar a pauta, precisaria de maioria ou 15 parlamentares presentes. |
| “Houve fraude na condução da CPMI” | Não há evidência concreta de fraude. O regimento foi seguido conforme interpretação do presidente eleito da comissão. |
| “A CPMI está sendo usada para perseguição política” | A quebra de sigilo de Lulinha foi pedida após a PF apontar que o “Careca do INSS” fez transferências de R$ 1,5 milhão para empresa ligada a uma amiga próxima de Lulinha. |
| “O PT quer investigar todos igualmente” | O governo bloqueou por meses a convocação de Lulinha: em dezembro, a CPI rejeitou sua convocação por 19 a 12 após articulação do Planalto. |
O Que Está em Jogo: Por Que Lulinha Importa
Não se trata de perseguição ao filho de ninguém. Trata-se de dinheiro de aposentado roubado que pode ter circulado por caminhos próximos ao núcleo do poder.
A Polícia Federal identificou que Antônio Camilo Antunes, o “Careca do INSS” — figura central nas fraudes que desviaram recursos do Instituto — fez pagamentos a Roberta Luchsinger, descrita como amiga de Lulinha. No total, uma consultoria ligada ao Careca transferiu R$ 1,5 milhão para a empresa de Roberta, em pagamentos de R$ 300 mil.
A quebra de sigilo aprovada hoje vai analisar todas as movimentações financeiras de Lulinha entre janeiro de 2022 e janeiro de 2025. Se há algo a esconder, os extratos vão contar.
Vale lembrar: em dezembro de 2024, a própria CPMI rejeitou a convocação de Lulinha por 19 votos a 12, após intensa articulação do governo para protegê-lo. O relator Alfredo Gaspar insistiu. Apresentou novo requerimento. Voltou à carga. E desta vez, conseguiu. Essa persistência custou xingamentos, empurrões e um soco.
Análise Política: O Desespero que se Disfarça de Indignação
Existe uma diferença fundamental entre indignação legítima e desespero disfarçado de indignação.
Quando parlamentares de oposição pedem quebra de sigilo, investigação, convocações — e fazem isso dentro das regras — são chamados de “golpistas”. Quando o governo perde a votação no jogo democrático e parte para a agressão física, chama de “fraude”.
O comportamento desta quinta-feira não é acidente. É padrão. Quando as investigações sobre o escândalo do INSS — que pode ter desviado mais de R$ 6 bilhões dos beneficiários mais vulneráveis do país — começam a apontar para conexões próximas do Planalto, o governo mobiliza sua tropa parlamentar não para esclarecer, mas para obstruir, intimidar e tumultuar.
Paulo Pimenta e Rogério Correia não foram àquela sessão defender os aposentados. Foram defender alguém.
A pergunta que todo brasileiro honesto deveria fazer é simples: se não há nada a esconder, por que tanta resistência a abrir as contas?
As Consequências: O Que Vem Por Aí
A partir de agora, a CPMI tem nas mãos a autorização para vasculhar as movimentações financeiras de Lulinha. Os desdobramentos podem ser:
No curto prazo: Paulo Pimenta tentará judicializar a decisão para suspender os efeitos da votação. Espere liminares, recursos e pressão sobre o Congresso.
No médio prazo: Caso os sigilos sejam quebrados de fato, os extratos podem confirmar ou desmentir a ligação financeira com o esquema do INSS. Se confirmar, a pressão sobre o governo Lula aumenta exponencialmente.
Para Rogério Correia: A agressão física a um colega parlamentar pode resultar em representação no Conselho de Ética e, em tese, até em processo de cassação de mandato — embora a história brasileira mostre que raramente se pune quem está no lado do poder.
Para a CPMI: A tentativa de intimidação pode ter o efeito inverso: fortalecer a coesão da oposição e expor ainda mais o nervosismo do governo com os rumos da investigação.
🗣️ Você, Cidadão: Isso É Com Você. Literalmente.
Vou falar diretamente com você que está lendo isso agora.
Aquele dinheiro que foi roubado no INSS não saiu do bolso de um abstrato “governo”. Saiu do bolso da sua avó, que teve o benefício descontado sem autorização. Do seu pai aposentado, que nem sabia que tinha “empréstimo consignado” no nome. Da sua vizinha que luta há meses para recuperar os descontos indevidos.
E quando a investigação finalmente chega perto de mostrar quem se beneficiou desse dinheiro, o que você vê? Deputados pagos com o seu imposto dando soco em colega de trabalho dentro do Congresso Nacional. A TV Senado sendo derrubada para que você não veja. A transmissão interrompida justamente no momento em que mais precisava estar ao ar.
Você acha coincidência? Eu não acho.
A sensação de impotência que você sente agora — de que “não adianta nada”, de que “vai acabar em pizza”, de que “eles se protegem” — é exatamente o que eles querem que você sinta. Porque cidadão desanimado é cidadão silencioso. E cidadão silencioso não incomoda.
Mas você pode fazer algo concreto agora:
- Compartilhe este artigo. Cada pessoa que lê é uma que não foi enganada pela narrativa de “fraude” fabricada pelo governo.
- Acompanhe a CPMI. As sessões são públicas. Assista. Cobre seus representantes.
- Grave o nome dos que obstruíram. Rogério Correia, Paulo Pimenta e todos os que tentaram blindar Lulinha têm mandato que vence em 2026. Você vota.
- Exija do seu deputado e senador um posicionamento claro sobre a investigação das fraudes do INSS.
A democracia não é um espetáculo para assistir. É um sistema que só funciona quando você participa. E participar começa com saber o que está acontecendo.
Você sabe. Agora faça algo com isso.
Fontes
- Revista Oeste — “Deputado petista parte para cima de presidente da CPMI do INSS”: https://revistaoeste.com/politica/deputado-petista-parte-para-cima-de-presidente-da-cpmi-do-inss/
- Metrópoles — “CPMI do INSS: deputado do Novo leva soco na cara e acusa colega do PT”: https://www.metropoles.com/brasil/cpmi-do-inss-deputado-do-novo-leva-soco-na-cara-e-acusa-colega-do-pt
- Metrópoles (Igor Gadelha) — “Lulinha: petista promete ir ao Conselho de Ética contra chefe de CPMI”: https://www.metropoles.com/colunas/igor-gadelha/lulinha-petista-promete-ir-ao-conselho-de-etica-contra-chefe-de-cpmi
- Revista Fórum — “Governistas apontam ‘fraude’ em votação que aprovou quebra de sigilo de Lulinha”: https://revistaforum.com.br/politica/governistas-apontam-fraude-em-votacao-que-aprovou-convocacao-de-lulinha-e-acionarao-presidente-da-cpmi-do-inss-video/
- Terra / Estadão — “CPMI do INSS aprova quebra de sigilos de Lulinha e Master e sessão é interrompida com briga”: https://www.terra.com.br/noticias/brasil/politica/cpmi-do-inss-aprova-quebra-de-sigilos-de-lulinha-e-master-e-sessao-e-interrompida-com-briga
- Diário do Poder — “Petistas começam confusão após CPMI do INSS aprovar quebra de sigilo de Lulinha”: https://diariodopoder.com.br/brasil-e-regioes/petistas-comecam-confusao-apos-cpmi-do-inss-aprovar-quebra-de-sigilo-de-lulinha
- BNews — “Sessão da CPMI do INSS termina em agressões após decisão sobre Lulinha”: https://www.bnews.com.br/noticias/politica/video-sessao-da-cpmi-do-inss-termina-em-agresscoes-apos-decisao-sobre-lulinha.html
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