Nos últimos dois dias, um nome tomou conta das buscas do Google no Brasil inteiro: Davi Alcolumbre. O presidente do Senado virou o personagem mais comentado da política brasileira depois de duas derrotas seguidas do governo Lula no Congresso — e muita gente foi correndo pesquisar quem é esse homem, de que partido é, se é de direita ou esquerda e o que exatamente aconteceu. Vou responder tudo isso aqui. Mas já aviso: a história tem mais camadas do que a mídia está mostrando.

Quem é Davi Alcolumbre
Davi Samuel Alcolumbre nasceu em Macapá, no Amapá, em 1977. É de família de origem judaica sefardita — seus antepassados vieram do Marrocos para o Brasil, passando pelo Pará antes de se fixarem no Amapá. Foi o primeiro judeu a presidir o Senado Federal na história do Brasil.
Começou a carreira como vereador em Macapá em 2001, o mais votado da cidade. No ano seguinte, já era deputado federal. Ficou 12 anos na Câmara, três mandatos consecutivos. Em 2014 chegou ao Senado. Em 2022 foi reeleito senador com 196 mil votos. Não tem diploma universitário — chegou a cursar Ciências Econômicas mas não concluiu. Antes da política, trabalhou como instalador de áudio e como comerciante.
De que partido é Alcolumbre — e se é de direita ou esquerda
Alcolumbre é do União Brasil — partido que surgiu em 2021 da fusão do DEM (antigo PFL) com o PSL, o mesmo partido que elegeu Jair Bolsonaro presidente em 2018. No papel, está num partido de centro-direita. Na prática, Alcolumbre não é de direita nem de esquerda. É do centrão — aquela fatia da política brasileira que não tem ideologia fixa, só interesses. Apoia quem der mais cargos, mais emendas, mais poder.
Prova disso: foi eleito presidente do Senado em fevereiro de 2025 com 73 dos 81 votos possíveis — apoio simultâneo do PT de Lula e do PL de Bolsonaro. Quando todos votam em você ao mesmo tempo, é porque você não ameaça ninguém de verdade.
O que é Jorge Messias e por que o Senado barrou sua indicação ao STF
Jorge Messias era o advogado-geral da União — o advogado chefe do governo federal — indicado por Lula para ocupar uma vaga no Supremo Tribunal Federal. O STF tem 11 ministros, todos indicados pelo presidente da República e aprovados pelo Senado em sabatina.
Na quarta-feira, 29 de abril, o Senado recusou Messias. Alcolumbre articulou contra nos bastidores, afirmando controlar ao menos 50 votos contrários à indicação. O governo foi para a sessão sem ter os votos e saiu humilhado.
Por que Alcolumbre foi contra? Não foi por princípio, não foi por avaliar o currículo de Messias e achar insuficiente. Foi parte de um acordão — troca política explícita feita nos bastidores de Brasília.
Por que Lula rompeu com Alcolumbre — e o quanto isso vale
Após as derrotas, o governo passou a considerar rompida de forma definitiva a relação com o presidente do Senado. As medidas de retaliação cogitadas incluem derrotar candidatos apoiados por Alcolumbre no Amapá em outubro e demitir seus indicados de cargos federais.
Mas o rompimento definitivo do PT com aliados que viraram inconvenientes tem prazo de validade curto. Quando precisar de votos para aprovar alguma coisa no Senado, o Planalto vai bater na porta de Alcolumbre com uma lista de cargos. Já aconteceu antes com outros “rompimentos históricos” do PT. Vai acontecer de novo.
Quando termina o mandato de Alcolumbre
Como presidente do Senado, o mandato de Alcolumbre vai até fevereiro de 2027. Como senador, foi reeleito em 2022 e cumpre mandato até 2031. Ou seja: está em Brasília por muito tempo ainda — e a CPI do Master vai continuar na gaveta dele enquanto isso.
O Brasil precisa parar de aplaudir quando o Congresso faz o mínimo. Barrar uma indicação ruim ao STF e votar com independência não é heroísmo — é obrigação de qualquer parlamentar que respeita o cargo. Alcolumbre fez o básico, por cálculo, no momento em que convinha. Nada mais.