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O Que a Escola Austríaca Ensina Sobre a Crise: Por Que o Keynesianismo Sempre Leva ao Desastre

A economia moderna é dominada pela visão de que as crises cíclicas (booms e busts) são falhas inerentes ao capitalismo de livre mercado, exigindo a intervenção corretiva do Estado e do Banco Central. Essa visão, popularizada pelo Keynesianismo, defende que o governo deve “suavizar” o ciclo econômico através do gasto deficitário e da manipulação da taxa de juros. No entanto, a Escola Austríaca de Economia, com seus expoentes Ludwig von Mises e Friedrich Hayek, oferece uma explicação radicalmente diferente e historicamente mais precisa: as crises não são falhas do mercado, mas sim o resultado inevitável da intervenção estatal na moeda e no crédito. A tese deste artigo é que a Teoria Austríaca dos Ciclos Econômicos (TACE) é a única que explica por que as políticas keynesianas de estímulo artificial sempre levam a um desastre econômico ainda maior.

A Base da Crítica: A Ação Humana e o Cálculo Econômico

A Escola Austríaca se distingue por seu método, o praxeologia, que estuda a ação humana intencional. Para os austríacos, a economia é um processo dinâmico e descentralizado, e não um sistema mecânico que pode ser ajustado por engenheiros sociais.

O Papel da Taxa de Juros

Em um livre mercado, a taxa de juros é o preço do tempo. Ela reflete a preferência temporal dos indivíduos: o quanto eles valorizam o consumo presente em relação ao consumo futuro. Uma taxa de juros alta significa que as pessoas estão poupando (preferência temporal baixa), liberando capital para investimentos de longo prazo. Uma taxa baixa significa que as pessoas estão consumindo (preferência temporal alta). A taxa de juros, portanto, coordena a poupança (oferta de capital) com o investimento (demanda de capital).

A Teoria Austríaca dos Ciclos Econômicos (TACE)

A TACE explica que o ciclo de boom e bust é iniciado quando o Banco Central, sob pressão política ou ideológica, manipula a taxa de juros para um nível artificialmente baixo.

1. A Expansão Artificial do Crédito (Boom)

Quando o Banco Central baixa a taxa de juros abaixo do nível natural (aquele que refletiria a poupança real), ele envia um sinal falso aos empreendedores. O crédito barato faz com que projetos de investimento que antes eram inviáveis se tornem aparentemente lucrativos.

•Mal-Investimento: O capital é alocado em projetos de longo prazo (construção civil, infraestrutura pesada, startups arriscadas) que não são sustentados pela poupança real da sociedade. Isso é o mal-investimento.

•Superconsumo: Ao mesmo tempo, o crédito fácil incentiva o consumo excessivo, pois o custo de se endividar é baixo.

A economia entra em um boom artificial, caracterizado por euforia, alta produção e preços de ativos inflacionados (bolhas).

2. A Inevitável Correção (Bust)

O boom é insustentável porque os recursos reais (capital, mão de obra qualificada, matérias-primas) necessários para completar todos os projetos de mal-investimento simplesmente não existem. A poupança real da sociedade não é suficiente para sustentar a expansão artificial.

•Aumento dos Custos: A competição por recursos escassos eleva os custos de produção.

•O Fim do Crédito Fácil: O Banco Central, ao perceber a inflação crescente, é forçado a aumentar a taxa de juros.

•A Liquidação: Os projetos de mal-investimento, que só eram viáveis com crédito barato, tornam-se deficitários e precisam ser liquidados. O boom se transforma em bust (crise).

A crise é, na verdade, o processo de cura do mercado, onde os erros de alocação de capital causados pela intervenção do Banco Central são corrigidos.

A Crítica ao Keynesianismo: O Desastre da Intervenção

O Keynesianismo, ao diagnosticar a crise como uma “falha de demanda” e não como uma “correção de mal-investimento”, propõe a solução errada.

1. O Estímulo Artificial

Em vez de permitir que o mercado liquide os mal-investimentos, o keynesiano defende que o governo deve intervir com mais gasto deficitário e mais crédito fácil (políticas de estímulo).

“A tentativa de curar a crise com mais inflação e mais crédito fácil é como tentar curar um alcoólatra com mais álcool.” (Ludwig von Mises)

Essa intervenção impede a correção necessária, mantendo os recursos presos em projetos inviáveis e prolongando a estagnação.

2. A Destruição da Poupança

O keynesianismo, ao defender a inflação moderada e o gasto, pune a poupança e a prudência. Ele incentiva o consumo irresponsável e a dívida, minando a base para o crescimento sustentável.

O Caminho Austríaco: Deixar o Mercado se Curar

Para a Escola Austríaca, a única forma de sair de uma crise causada pela TACE é permitir que o mercado realize a liquidação total dos mal-investimentos.

1. Abstinência de Intervenção

O governo e o Banco Central devem se abster de intervir. Não deve haver resgates (bailouts) de bancos ou empresas irresponsáveis. A falência é um mecanismo essencial do capitalismo para liberar capital e mão de obra para usos mais produtivos.

2. Redução do Gasto Público

O governo deve cortar gastos e reduzir impostos para liberar capital para o setor privado, que é o único capaz de gerar riqueza real.

3. Moeda Forte

O retorno a uma moeda sólida, livre da manipulação do Banco Central, é o único caminho para evitar que o ciclo de boom e bust se repita.

Conclusão: A Virtude da Prudência

A Escola Austríaca de Economia oferece uma lição crucial: a estabilidade e a prosperidade não podem ser criadas por decreto ou impressas por uma máquina. Elas são o resultado da poupança, do investimento prudente e da coordenação descentralizada do livre mercado.

O keynesianismo, ao prometer uma solução fácil para a crise através da intervenção, apenas adia a correção e garante que o próximo desastre será ainda maior. A TACE é um lembrete de que a honestidade monetária e a disciplina fiscal são os pilares de uma economia saudável. O caminho para a prosperidade é o da liberdade econômica, onde o mercado, e não o Estado, é o árbitro da alocação de capital.

Referências

[1] Mises, L. von. (1912). The Theory of Money and Credit. Yale University Press.

[2] Hayek, F. A. (1931). Prices and Production. Routledge.

[3] Rothbard, M. N. (1963). America’s Great Depression. D. Van Nostrand Company.

[4] Keynes, J. M. (1936). The General Theory of Employment, Interest and Money. Macmillan.

[5] Instituto Mises Brasil. (2024). A Teoria Austríaca dos Ciclos Econômicos.

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