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Conjuração Baiana: A Revolta Radical que a Esquerda Exalta, mas que Fracassou por seu Terrorismo Jacobino

Contexto Histórico e Causas

A historiografia de esquerda, em sua busca incessante por heróis revolucionários que validem sua agenda de luta de classes, encontrou na Conjuração Baiana de 1798 um de seus mitos fundadores. O movimento é exaltado como a primeira grande “revolução social” do Brasil, uma revolta pura do “povo oprimido” – negros, mulatos e pobres – contra a tirania da elite branca e da Coroa Portuguesa. Essa narrativa, no entanto, é uma perigosa romantização que deliberadamente esconde a face sombria e o verdadeiro motivo do fracasso da conspiração: seu radicalismo extremo, sua inspiração no terrorismo jacobino da Revolução Francesa e sua proposta de um banho de sangue que apavorou a própria população que pretendia “libertar”.

Neste artigo, vamos desconstruir essa visão idealizada. Mostraremos que a Conjuração Baiana, ou Revolta dos Alfaiates, não foi um movimento democrático, mas um projeto radical que pregava a violência e a carnificina. Analisaremos como sua inspiração não vinha dos ideais de liberdade da Revolução Americana, mas do Reino do Terror de Robespierre, a fase mais sangrenta da Revolução Francesa. A verdade inconveniente para a esquerda é que a revolta não fracassou pela “força da repressão”, mas pela rejeição de seus métodos e objetivos pela vasta maioria da sociedade, que instintivamente rechaçou a promessa de uma liberdade construída sobre o cadafalso.

Os Fatos Históricos: Uma Conspiração em Salvador

No final do século XVIII, Salvador, a antiga capital da colônia, vivia um período de dificuldades econômicas e ressentimento. A transferência da capital para o Rio de Janeiro e a decadência da economia açucareira criaram um ambiente de insatisfação popular, agravado pela escassez de alimentos e pelos altos impostos. Foi nesse cenário que um grupo de homens das camadas populares – incluindo os alfaiates João de Deus do Nascimento e Manuel Faustino dos Santos Lira, além de soldados como Lucas Dantas de Amorim Torres – começou a conspirar.

Influenciados pelas notícias que chegavam da Europa, especialmente as ideias mais radicais da Revolução Francesa, eles sonhavam com uma ruptura total com Portugal. Seus planos, muito mais ambiciosos que os da Inconfidência Mineira, incluíam a proclamação de uma República, a abertura dos portos, o fim da escravidão e, crucialmente, a igualdade de todos perante a lei, independentemente da cor da pele. Para divulgar suas ideias, eles espalharam panfletos manuscritos em locais públicos de Salvador, os “pasquins sediciosos”, que conclamavam o povo à revolução. No entanto, a conspiração foi rapidamente descoberta após um dos membros, o ferreiro Joaquim José da Veiga, delatar o plano às autoridades em troca do perdão. A repressão foi imediata e implacável.

Análise Crítica: A Face Oculta da Revolta

A esquerda celebra as pautas da Conjuração – igualdade racial, fim da escravidão – como prova de seu caráter “progressista”. O que eles omitem é o método proposto para alcançá-las: o terror.

1. A Inspiração no Terror Jacobino: A principal influência dos conjurados não era o liberalismo ordeiro, mas o jacobinismo radical. Os panfletos encontrados são a prova cabal disso. Eles não falavam em transição, debate ou direitos da minoria; falavam em extermínio.

     Um dos panfletos, conhecido como o “Pasquim dirigido ao Povo Bahiense”, era explícito em  sua sede de sangue: “Animai-vos, Povo Bahiense, que está para chegar o tempo feliz da nossa liberdade: o tempo em que todos seremos irmãos, o tempo em que todos seremos iguais. (…) o Povo que sempre foi oprimido (…) há de vingar-se de um modo que há de fazer uma formidável carnificina nos opressores.”

Essa linguagem não é a de libertadores, é a de terroristas. A promessa de uma “formidável carnificina” ecoava diretamente a guilhotina que operava sem parar em Paris. A inspiração não era a construção de uma república de leis, mas a instauração de uma ditadura revolucionária baseada na vingança e na eliminação física dos “opressores”.

2. O Medo como Causa do Fracasso: A narrativa esquerdista diz que a revolta foi esmagada pela elite. A verdade é que ela foi implodida por dentro, pelo medo que seu próprio radicalismo gerou. A delação não foi um ato isolado de um traidor, mas o sintoma de um pavor generalizado. A sociedade de Salvador, incluindo brancos pobres, mulatos e negros libertos que haviam prosperado, não tinha interesse em apoiar um movimento que prometia destruir a ordem social através do massacre. Eles podiam desejar melhores condições de vida, mas não ao custo de uma guerra racial e de classe nos moldes da sangrenta Revolução Haitiana, cujas notícias aterrorizavam as elites de todas as Américas. O fracasso da Conjuração Baiana é a prova de que a sociedade brasileira, desde muito cedo, demonstrou ter um “sistema imunológico” contra projetos de ruptura totalitária.

MITO vs. FATO

O Mito da Esquerda: A Conjuração Baiana foi um movimento popular unificado, representando o anseio de todos os oprimidos.

O Fato Histórico: O movimento foi obra de um pequeno grupo radicalizado. Seu discurso de terror e extermínio não apenas falhou em atrair o apoio da maioria da população pobre e de cor, como ativamente a alienou. A delação e a rápida desarticulação do movimento mostram que ele não tinha a base social que a esquerda hoje fantasia que ele possuía.

Curiosidades e Fatos Pouco Conhecidos

  • A Influência da Maçonaria: A primeira loja maçônica do Brasil, a “Cavaleiros da Luz”, foi fundada em Salvador em 1797. Vários membros da elite intelectual que participaram da fase inicial da conspiração, como o médico Cipriano Barata, eram maçons. No entanto, quando o movimento se radicalizou com a entrada dos populares e a pregação da violência, a maioria desses membros da elite se afastou, temendo perder o controle da situação.
  • A Sentença Desigual: A repressão da Coroa foi um exemplo claro de justiça seletiva. Os membros mais ricos e influentes da conspiração, como Cipriano Barata, receberam penas mais brandas, como prisão ou exílio. Já os líderes populares e negros – João de Deus, Manuel Faustino, Lucas Dantas e Luís Gonzaga das Virgens – foram condenados à pena máxima. Eles foram enforcados na Praça da Piedade, e seus corpos foram esquartejados e expostos em locais públicos para servir de exemplo.
  • O Nome “Revolta dos Alfaiates”: Embora houvesse soldados, artesãos e outros profissionais entre os líderes, o nome pegou porque dois dos conspiradores mais ativos, João de Deus e Manuel Faustino, exerciam a profissão de alfaiate. Isso evidencia a natureza urbana e popular do núcleo do movimento.

Conclusão: A Lição da Conjuração Baiana e sua Relevância Atual

A Conjuração Baiana não deve ser celebrada como um ato heroico, mas estudada como uma advertência. Ela nos ensina que fins nobres, como a igualdade e a liberdade, jamais podem ser alcançados por meios ignóbeis, como o terror e a pregação do extermínio. A tentativa da esquerda de transformar os líderes da conjuração em mártires da “luta popular” é uma tentativa de legitimar sua própria ideologia, que historicamente sempre flertou com a violência como ferramenta política.

Essa discussão não é meramente acadêmica; ela ecoa diretamente nos debates atuais. Hoje, vemos grupos de esquerda radical usando a mesma retórica de “luta contra o opressor” para justificar a invasão de propriedades, a depredação do patrimônio e a censura de opiniões divergentes. Eles pintam o agronegócio, o empresário e o conservador como “inimigos” que precisam ser combatidos, ecoando o mesmo discurso de ódio que os conjurados de 1798 usavam contra os “grandes” de Salvador.

A lição da Conjuração Baiana é, portanto, mais atual do que nunca. Ela nos lembra que a sociedade brasileira é, em sua essência, avessa a projetos de ruptura violenta. O povo brasileiro anseia por ordem, estabilidade e progresso gradual, e não por revoluções que prometem o paraíso através da guilhotina ou da “carnificina”. O fracasso da Revolta dos Alfaiates foi a primeira grande derrota do radicalismo jacobino em solo nacional, e serve como um lembrete perpétuo de que o caminho para um Brasil melhor passa pela reforma e pelo respeito à lei, e não pela revolução e pelo terror.

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