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Anarquismo: Tudo Não Passa de Loucura

O Anarquismo, em sua definição original, é a doutrina que advoga a ausência de governo (do grego anarkhia). Contudo, essa simples definição esconde uma complexa e frequentemente contraditória história de movimentos que, sob a bandeira da liberdade, pavimentaram o caminho para o caos e para novas formas de tirania. Para o olhar conservador e crítico, é imperativo desmascarar as falácias que envolvem o Anarquismo e revelar a verdade sobre o que essa ideologia realmente representa para a ordem social, a propriedade e a civilização.

O Que É o Anarquismo: Definição e Contexto Histórico

O Anarquismo como movimento político e filosófico moderno surge no século XIX, em um contexto de efervescência social e crítica ao crescente poder do Estado-Nação e da industrialização.

Quem Criou, Quando e Onde

Embora a ideia de uma sociedade sem governo tenha raízes antigas, o Anarquismo moderno foi formalmente estabelecido por pensadores europeus:

•Pierre-Joseph Proudhon (1809-1865): Considerado o primeiro anarquista autodeclarado. Sua obra O que é a Propriedade? (1840), publicada na França, marcou o início do movimento. Proudhon defendia o Mutualismo, uma forma de anarquismo que criticava a propriedade exploratória, mas defendia a posse individual baseada no trabalho e a organização social por meio de contratos e federações.

Mikhail Bakunin (1814-1876): O principal expoente do Anarquismo Coletivista e o grande rival de Karl Marx na Primeira Internacional (Associação Internacional dos Trabalhadores). Bakunin, de origem russa, foi fundamental para levar o Anarquismo para o sul da Europa (Espanha, Itália) e para a América Latina, onde ganhou grande força entre os sindicatos.

Piotr Kropotkin (1842-1921): O teórico mais influente do Anarco-Comunismo. Também russo, Kropotkin desenvolveu a ideia de uma sociedade baseada na posse comum dos meios de produção e na distribuição segundo a necessidade, popularizando a vertente que se tornaria a mais associada à esquerda radical.

O Anarquismo, portanto, nasceu na Europa Ocidental (França) e se desenvolveu rapidamente, principalmente na Rússia e nos países latinos, como uma resposta radical ao liberalismo e ao socialismo de Estado.

Os Movimentos Anarquistas: A Bifurcação Fatal e Suas Proporções

O Anarquismo nunca foi um movimento monolítico. Sua história é marcada por uma bifurcação fatal que o divide entre a vertente de Esquerda (coletivista e anti-propriedade) e a crítica que defende a ordem e a propriedade como base da verdadeira liberdade.

1. O Anarquismo de Esquerda: A Utopia Coletivista e o Elo com o Comunismo

Esta vertente é a que alcançou as maiores proporções históricas, especialmente no final do século XIX e início do século XX, e é a principal responsável pela mácula do movimento.

•Anarco-Comunismo e Anarco-Sindicalismo: O Anarquismo de Esquerda se concentrou em movimentos de massa, como o Anarco-Sindicalismo, que defendia a organização dos trabalhadores em sindicatos revolucionários. Seu auge foi na Espanha, onde a Confederação Nacional do Trabalho (CNT) chegou a ter milhões de membros, e na Guerra Civil Espanhola (1936-1939), onde tentou implementar a coletivização de terras e fábricas.

•Proporções e Fracasso: Apesar de sua força numérica em certos períodos e regiões, o Anarquismo de Esquerda nunca conseguiu estabelecer uma sociedade duradoura. Seu maior experimento, a coletivização na Espanha, resultou em caos econômico, violência interna e foi rapidamente esmagado, tanto pelas forças fascistas quanto, ironicamente, pelos comunistas marxistas que o viam como uma ameaça utópica. A proporção do movimento foi grande em número de adeptos, mas minúscula em termos de sucesso prático e longevidade.

2. A Crítica Conservadora: A Ordem da Propriedade como Única Alternativa ao Estado

Em contraste com a utopia coletivista, a crítica conservadora oferece uma análise do Estado que é coerente com os princípios de ordem, propriedade e mercado. O problema do Anarquismo não é a ausência de Estado, mas a ausência de Propriedade Privada como princípio organizador.

•A Defesa da Propriedade e do Mercado: Pensadores como Murray Rothbard e Hans-Hermann Hoppe (Escola Austríaca) defendem que a abolição do Estado só é viável em um sistema de mercado livre total, onde a propriedade privada é o princípio organizador.

•A Crítica Paleo-Conservadora: A crítica paleo-conservadora ao Estado moderno, defendida por pensadores como Miguel Anxo Bastos e Erik von Kuehnelt-Leddihn, argumenta que a ordem não é imposta pelo Estado, mas nasce da cultura, da moral e das instituições tradicionais (família, igreja, lei consuetudinária) que o Estado moderno destrói. Essa crítica, embora não seja Anarquismo, oferece a única base sólida para a crítica ao gigantismo estatal.

Essa crítica oferece a base teórica para a crítica conservadora ao gigantismo estatal, sem cair na utopia anti-propriedade da esquerda.

As Verdades Reveladas: O Que o Anarquismo Realmente É

A verdade sobre o Anarquismo só pode ser revelada quando se desmascara a falácia central do Anarquismo de Esquerda e se reconhece a validade da crítica conservadora ao Estado.

Falácia 1: O Anarquismo de Esquerda é Anti-Comunista

A Verdade: O Anarquismo de Esquerda (Anarco-Comunismo) é, na prática, uma forma de Comunismo Sem Estado. Embora Bakunin tenha rivalizado com Marx sobre a necessidade de um “Estado Proletário” transitório, ambos concordavam no objetivo final: a abolição da propriedade privada e do capitalismo.

A negação da propriedade privada é o elo fatal que liga o Anarco-Comunismo ao fracasso do comunismo tradicional. Como demonstrado por Ludwig von Mises, a abolição da propriedade e do sistema de preços torna o cálculo econômico impossível. O resultado é a escassez, a miséria e a necessidade inevitável de um poder coercitivo (seja ele estatal ou comunal) para gerenciar a distribuição dos bens escassos. A utopia da “coordenação voluntária” desmorona diante da realidade da natureza humana e da escassez.

Falácia 2: A Ausência de Governo Leva à Liberdade

A Verdade: A ausência de governo, sem a defesa da propriedade privada, leva ao vazio de poder, que é rapidamente preenchido por novas formas de tirania e controle de um grupo que se torna dominante.

O Anarquismo de Esquerda ignora a natureza humana, que é falível e busca o interesse próprio. Ao desmantelar as estruturas de defesa da propriedade (polícia, tribunais), ele não cria a paz, mas sim um ambiente onde a força bruta e a organização de milícias ou gangues se tornam a lei. A “liberdade” prometida se transforma na tirania da maioria ou na dominação de uma minoria organizada que se apropria dos recursos em nome da “comunidade”.

A única forma de a ausência de Estado ser compatível com a liberdade é através da propriedade privada inviolável e da descentralização da força. A propriedade é o limite que define a liberdade de cada um, e sua defesa é o princípio organizador que a crítica conservadora defende.

Conclusão: A Ordem Conservadora Contra a Utopia

O Anarquismo, quando analisado sob a lente da verdade e do realismo conservador, revela-se um campo de batalha ideológico.

O Anarquismo de Esquerda é uma ideologia anti-ordem que, ao atacar a propriedade privada, ataca o próprio alicerce da civilização. Sua história é uma sucessão de fracassos que comprovam a tese conservadora: a ordem não é um acidente, mas um bem frágil que deve ser cultivado através da moralidade, da tradição e da propriedade.

A crítica mais valiosa ao gigantismo estatal é a crítica paleo-conservadora, que se alinha à defesa da propriedade privada e do mercado livre. O Estado, com seu gigantismo e centralismo, é o principal inimigo das comunidades, da família e da liberdade econômica.

A luta contra a esquerda e o comunismo não deve ser travada em nome de um Estado forte, mas sim em nome da sociedade civil e das instituições não-estatais que o Estado tenta destruir. O Anarquismo de Esquerda é uma falácia perigosa que, ao prometer a liberdade total, entrega a miséria e a tirania. A verdadeira luta pela liberdade é a defesa intransigente da propriedade privada, do mercado livre e da ordem moral que sustenta a civilização.

Referências

[1] Bolloten, B. (1991). The Spanish Civil War: Revolution and Counterrevolution. (Referência ao fracasso prático das experiências anarquistas na Guerra Civil Espanhola).

[2] Mises, L. von. (1920). Economic Calculation in the Socialist Commonwealth. (Referência à impossibilidade do cálculo econômico sem propriedade privada e preços de mercado).

[3] Proudhon, P.-J. (1840). O que é a Propriedade?. (Referência ao Mutualismo e à crítica à propriedade).

[4] Rothbard, M. N. (1973). For a New Liberty: The Libertarian Manifesto. (Referência à defesa da propriedade privada e do mercado livre como princípios anti-estatais).

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