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PCC e Comando Vermelho estão em todos os 27 estados — e o governo não quer que você saiba

PCC tem 40 mil membros e exporta cocaína para a Europa. CV tem 30 mil e dobrou sua presença em dois anos. As duas maiores facções do Brasil estão nos 27 estados. Entenda como chegamos aqui.

Eles nasceram em prisões. Um numa disputa de futebol entre detentos em São Paulo, em agosto de 1993. O outro numa aliança entre criminosos comuns e guerrilheiros de esquerda numa ilha-presídio no Rio de Janeiro, em 1979. Hoje, o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho são duas das maiores organizações criminosas do mundo — e estão presentes nos 27 estados brasileiros. Não é exagero. É o que os dados oficiais mostram, quando alguém tem coragem de olhar para eles.

O governo prefere que você não saiba disso. Afinal, admitir que o Estado perdeu o controle do território para facções criminosas é admitir décadas de falência na segurança pública — e isso tem nome, tem partido e tem responsável.

O PCC: de presídio paulista a máfia global

O Primeiro Comando da Capital nasceu em 31 de agosto de 1993, na Casa de Custódia de Taubaté, no interior de São Paulo, fundado por detentos de alta periculosidade. Em três décadas, saiu de uma cela e se tornou o que a revista The Economist descreveu como um dos maiores grupos criminosos do mundo: 40 mil membros efetivos e outros 60 mil “contratados” — número que tornaria o PCC maior do que o exército regular de vários países.

A estratégia do PCC é diferente da do Comando Vermelho. Enquanto o CV aposta na expansão territorial e no confronto, o PCC evita embates diretos com rivais fora de São Paulo e concentra energia na internacionalização. Segundo a Gazeta do Povo, a organização controla hoje o porto de Santos — o maior da América Latina — como hub de exportação de cocaína para a Europa e a Ásia. A cocaína que sai do porto de Santos foi comprada de produtores bolivianos e colombianos, transportada pela “Rota Caipira” pelo interior do país, refinada e embarcada com destaque para Portugal, Espanha, Holanda e países africanos.

A primeira aliança internacional do PCC foi com traficantes bolivianos em Santa Cruz — chamada internamente de “Narcosur.” Depois vieram conexões com a FARC e o ELN colombianos, com os cartéis mexicanos e, segundo relatório da inteligência americana, com a Tren de Aragua venezuelana. O PCC não é uma quadrilha. É uma corporação transnacional com sede no Brasil.

O CV: 30 mil membros e expansão agressiva por terra e rio

O Comando Vermelho foi criado em 1979 dentro da prisão de Ilha Grande, no Rio de Janeiro, numa aliança entre criminosos comuns e guerrilheiros políticos de esquerda — presos juntos durante a ditadura militar. O adjetivo “Vermelho” não é coincidência: a influência ideológica dos guerrilheiros moldou a identidade da organização desde o início.

Hoje, segundo o Insight Crime citado pelo Instituto Humanitas Unisinos, o CV tem 30 mil membros. Sua estratégia é oposta à do PCC: expansão horizontal e territorial, com foco em dominar fisicamente favelas, cidades e rotas fluviais. Entre 2023 e 2025, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o CV praticamente dobrou sua presença territorial — de 128 para 286 cidades brasileiras.

A Amazônia é o principal vetor dessa expansão. Segundo a Gazeta do Povo, o CV “mantém hegemonia nas rotas fluviais, especialmente no eixo do rio Solimões, em articulação com a produção peruana e os cartéis colombianos.” As drogas descem pelo rio em direção aos portos de Manaus, Santarém, Barcarena, Belém e Macapá — de onde seguem para a Europa. A Polícia Federal apreendeu 118 toneladas de cocaína na Amazônia entre 2019 e 2024, aumento de 84,8% no período. E as apreensões representam uma fração do que realmente passa.

O que acontece quando as duas se encontram

Em fevereiro de 2025, PCC e CV anunciaram uma trégua — a primeira em anos. Segundo relatório da inteligência da Polícia Civil do Rio de Janeiro, o objetivo era estabelecer parcerias para lavar dinheiro, traficar drogas e adquirir armamento pesado de forma coordenada. O acordo durou poucas semanas e se desfez pela competição regional entre facções menores que não aceitaram os termos.

Mas o simples fato de que as duas maiores organizações criminosas do país conseguiram negociar uma trégua — sem que o Estado soubesse com antecedência, sem que houvesse qualquer intervenção — diz tudo sobre quem de fato controla o território. A Argentina, preocupada, chegou a apresentar um projeto de declaração na Câmara dos Deputados pedindo que PCC e CV fossem incluídos no registro nacional de organizações terroristas do país.

O Brasil, ao contrário, foi à Casa Branca em maio de 2026 pedir a Trump que não fizesse o mesmo.

O mapa que o governo não divulga

Nos estados do Norte, como Amazonas, Pará e Acre, o CV domina as rotas fluviais e impõe regras próprias em municípios que a polícia consegue visitar apenas de avião. Nos estados do Nordeste, o CV disputa com grupos regionais como os Guardiões do Estado, o Bonde dos Malucos e outros. No Centro-Oeste e no Sul, o PCC mantém domínio logístico sobre as rotas terrestres de cocaína. Em São Paulo e no Rio, ambos disputam o varejo e o controle das bocas de fumo — que, como você sabe, não é difícil de encontrar em nenhum bairro de nenhuma cidade de tamanho médio para cima.

O que o mapa mostra, quando alguém tem coragem de publicá-lo, é que não existe estado brasileiro sem presença de crime organizado estruturado. Não existe município de porte médio sem rota de tráfico ativa. E não existe governo — federal, estadual ou municipal — que possa dizer honestamente que não sabia.

Sabia. Sabe. E escolheu não enfrentar.

Compartilha. Porque a primeira coisa que o crime organizado precisa para prosperar é que o cidadão comum acredite que o problema é do outro lado da cidade.

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FONTES COM LINKS:

1. Gazeta do Povo — PCC e CV: do tráfico nas ruas à máfia global de tráfico de drogas (fev/2026)

2. Gazeta do Povo — Facções disputam poder na Amazônia (jan/2026)

3. Instituto Humanitas Unisinos / El País — O Comando Vermelho conta com 30 mil membros e está em expansão (out/2025)

4. CNN Brasil — CV e PCC têm hegemonia em 13 estados (dez/2025)

5. MercoPress / The Economist — Brazilian drug gang goes global (nov/2023)

6. Jornal da Unesp — O PCC e o CV não querem um narco-estado (jun/2025)

7. Câmara de Deputados da Argentina — Projeto de declaração sobre PCC e CV como organizações terroristas (2025)

8. Brasil Paralelo — Mapa das facções: 88 organizações criminosas no Brasil (nov/2025)

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