Testemunha-chave revela à imprensa que Lulinha recebia mesada de R$ 300 mil e R$ 25 milhões do lobista do maior esquema de fraudes previdenciárias do país
A tentativa da mídia progressista brasileira de minimizar ou ignorar o crescente volume de evidências que conectam Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, ao maior esquema de fraudes previdenciárias da história do país atingiu novo patamar de desonestidade jornalística. Pela primeira vez, a testemunha considerada peça-chave pela Polícia Federal nas investigações da Operação Sem Desconto concedeu entrevista à imprensa detalhando como o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, citava abertamente o nome do filho do presidente Lula em reuniões de negócios, usava sua influência para demonstrar poder político, e pagava mesadas de R$ 300 mil mensais além de antecipação de R$ 25 milhões vinculados a projetos governamentais.
Este artigo demonstrará, com base em depoimentos documentados, mensagens apreendidas pela Polícia Federal, passagens aéreas em conjunto e registros de visitas ao Ministério da Saúde, que a narrativa oficial de que “Lulinha não tem nenhuma relação com o Careca do INSS” é mentira descarada que insulta a inteligência dos brasileiros. A tese central é cristalina: o filho do presidente manteve sociedade oculta com o articulador do esquema bilionário de fraudes no INSS, beneficiou-se financeiramente desta relação criminosa, e agora conta com a blindagem da máquina estatal e da mídia aliada para escapar de investigação e responsabilização.
A Testemunha Que Ousou Falar
Em entrevista exclusiva concedida ao colunista Tácio Lorran do portal Metrópoles, um ex-funcionário do Careca do INSS, cuja identidade foi preservada devido a supostas ameaças de morte recebidas do lobista em junho de 2025, revelou detalhes explosivos sobre a relação entre Antônio Carlos Camilo Antunes e Lulinha. Este é o mesmo ex-funcionário que prestou depoimento crucial à Polícia Federal em 29 de outubro de 2025 e que agora, sentindo-se abandonado e desprotegido pelas autoridades, decidiu falar publicamente.
O testemunho é devastador em sua clareza e especificidade:
“Antonio falava abertamente sobre o filho do rapaz!!! Fábio Lula da Silva. Falava ‘filho’, e sinalizava mostrando a mão com 4 dedos… Falou o nome de Fábio Lula diversas vezes, a mim, a alguns parceiros comerciais, em reunião de diretoria.”
A gestualização descrita – mostrar a mão com quatro dedos – é referência clara ao símbolo do Partido dos Trabalhadores, indicando que o Careca não apenas citava Lulinha, mas o fazia em contexto explicitamente político, como forma de demonstrar conexões com o poder.
A testemunha detalhou ainda os valores envolvidos na relação:
“Antonio me disse que ele pagava uma mesada de 300 mil e que antecipou 25 milhões (não foi falado em que moeda) em função do Projeto Amazônia e Projeto Teste de Dengue. Antônio comentou que algumas vezes o encontrava em SP e DF.”
Façamos as contas: mesadas de R$ 300 mil mensais, mantidas por período significativo, facilmente somariam milhões de reais. Adicionando a antecipação de 25 milhões (seja em reais, euros ou dólares), estamos falando de montantes que colocariam qualquer cidadão comum sob investigação imediata por enriquecimento ilícito. Mas quando o beneficiário é filho do presidente, as autoridades pisam em ovos e a mídia progressista finge não ver.
As Mensagens Que Confirmam: “O Filho do Rapaz”
Para além do depoimento oral, a Polícia Federal obteve provas documentais que corroboram integralmente o relato da testemunha. Em mensagens de WhatsApp apreendidas durante a Operação Sem Desconto, o Careca do INSS ordenou a um funcionário que efetuasse pagamento de R$ 300 mil para “o filho do rapaz”.
A expressão, utilizada em contexto de transferências financeiras, não deixa margem para dúvidas sobre a identidade do destinatário. “O rapaz” é o presidente Lula, e “o filho do rapaz” é Lulinha. A própria Polícia Federal, em representação ao STF revelada pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmada pelo Globo, afirmou que “o filho do rapaz” seria Lulinha.
As mensagens foram trocadas entre o Careca do INSS e colaboradores próximos, demonstrando que os pagamentos a Lulinha eram tratados como operação corriqueira dentro da estrutura do lobista. Não se tratava de favor esporádico ou ajuda pessoal, mas de transferências sistemáticas que sugerem retribuição por serviços prestados ou participação societária oculta nos negócios.
Roberta Luchsinger: A Ponte Entre Lulinha e o Esquema
Peça fundamental na conexão entre Lulinha e o Careca do INSS é Roberta Luchsinger, empresária e amiga próxima do filho do presidente. A Polícia Federal identificou que Roberta:
- Recebeu R$ 1,5 milhão do Careca do INSS: A decisão do STF que autorizou a última fase da operação confirma que houve cinco pagamentos de R$ 300 mil cada, totalizando R$ 1,5 milhão transferidos do lobista para Roberta.
- Fez lobby no Ministério da Saúde ao lado do Careca: Registros obtidos via Lei de Acesso à Informação revelam que Roberta e Antônio Carlos Camilo Antunes estiveram juntos no Ministério da Saúde, representando a mesma empresa. O lobista visitou o ministério cinco vezes, sendo três em 2024 apresentando-se como diretor de empresa de telemedicina.
- Viajou com Lulinha ao menos seis vezes: Passagens aéreas apreendidas mostram que Roberta e Lulinha viajaram juntos, sendo uma vez para Lisboa, Portugal, em junho de 2024, e outros cinco trechos nacionais entre abril e junho de 2025. As reservas compartilhavam o mesmo código localizador, indicando aquisição conjunta dos bilhetes.
- Alertou o Careca sobre apreensão de envelope com nome de “nosso amigo”: Em mensagens trocadas após a deflagração da primeira fase da operação em abril de 2025, Roberta avisou o empresário que a PF havia apreendido envelope “com nome do nosso amigo” e manifestou preocupação com a divulgação desse vínculo.
O padrão é cristalino: Roberta atuava como intermediária entre Lulinha e o Careca do INSS, recebendo os pagamentos destinados ao filho do presidente e articulando o lobby conjunto no governo federal. A defesa de Roberta alega que ela foi procurada por Antunes para atuar no mercado de canabidiol e que as atividades “não chegaram a prosperar”. Mas R$ 1,5 milhão em pagamentos por atividades que “não prosperaram”? A narrativa é tão inverossímil que beira o cômico.
Os Projetos Governamentais Que Justificariam os Milhões
A testemunha mencionou especificamente dois projetos que teriam motivado a antecipação dos 25 milhões ao Lulinha: “Projeto Amazônia” e “Projeto Teste de Dengue”. Embora os detalhes específicos destes projetos ainda estejam sob investigação, o contexto é revelador.
Durante o governo Lula 3, tem havido ênfase retórica em projetos na Amazônia e expansão de programas de saúde pública. Se o Careca do INSS estava antecipando milhões a Lulinha com base nestes projetos, a implicação é que o filho do presidente atuaria como facilitador para que as empresas do lobista obtivessem contratos governamentais milionários.
O jornalista Aguirre Talento, em reportagem para o Estadão, relatou que a testemunha Edson Claro (cujo nome foi posteriormente divulgado) afirmou ter ouvido do Careca que Lulinha seria seu sócio em empresa do setor de cannabis medicinal. O lobista teria detalhado que Lulinha “participou de três reuniões sobre o tema” e que os recursos enviados seriam “provenientes da comercialização de kits de dengue”.
A conexão entre kits de dengue, cannabis medicinal, lobby no Ministério da Saúde e pagamentos milionários ao filho do presidente desenha quadro de possível tráfico de influência de dimensões assustadoras. Se confirmado, estaríamos diante de esquema onde o filho do presidente recebe milhões para facilitar acesso de empresas privadas a contratos públicos lucrativos, configurando um dos casos mais graves de corrupção do atual governo.
Mito vs. Fato: Desmentindo as Narrativas de Defesa
Mito: Lulinha não conhece o Careca do INSS, nunca teve qualquer relação comercial com ele, e as menções a seu nome nas investigações são coincidências ou mal-entendidos.
Fato: A Polícia Federal possui: (1) depoimento de testemunha que trabalhou com o Careca afirmando que ele citava Lulinha abertamente e pagava mesadas de R$ 300 mil; (2) mensagens de WhatsApp ordenando pagamento de R$ 300 mil para “o filho do rapaz”; (3) passagens aéreas conjuntas de Lulinha e Roberta Luchsinger (que recebeu R$ 1,5 milhão do Careca); (4) registros de visitas de Roberta ao Ministério da Saúde ao lado do lobista; (5) anotações em agenda com referência direta “Fábio (filho Lula)” relacionada a ingressos de show. A probabilidade estatística de todas estas “coincidências” ocorrerem simultaneamente sem que haja relação real é próxima de zero.
Mito: O advogado Marco Aurélio de Carvalho, que representa Lulinha, afirmou que ele “não é alvo de nenhuma investigação” e que “não tem relação direta nem indireta com absolutamente nada que tenha a ver com INSS”.
Fato: A própria Polícia Federal informou ao STF, em representação oficial, que apura se Lulinha “em tese, poderia atuar como sócio oculto” do Careca do INSS. A PF não abriria linha de investigação preliminar se não houvesse indícios mínimos de envolvimento. O fato de não ser “formalmente investigado” ainda é tecnicalidade jurídica que não exclui a realidade de que seu nome está no centro das apurações. A estratégia da defesa é semântica: alegar que não há “investigação formal” enquanto a PF realiza “apuração preliminar” – como se a diferença terminológica mudasse a substância dos fatos.
Mito: A relação entre Roberta Luchsinger e Lulinha é “pessoal e não negocial”, como afirmou o advogado do filho do presidente, e as viagens conjuntas são normais entre amigos.
Fato: Amigos normalmente não compartilham código localizador de passagens aéreas (o que indica que alguém comprou bilhetes para ambos). Amigos normais não viajam seis vezes juntos sendo que um deles está recebendo R$ 1,5 milhão de lobista que frauda o INSS. E relações “puramente pessoais” não explicam por que a amiga faz lobby no Ministério da Saúde representando as empresas do mesmo lobista que paga mesadas ao “amigo”. A narrativa desmorona sob escrutínio mínimo.
O Esquema Bilionário do INSS: Contexto da Farra
Para compreender a gravidade do envolvimento de Lulinha, é necessário dimensionar o esquema criminoso do qual o Careca do INSS é acusado de ser o principal articulador. A Operação Sem Desconto revelou fraudes que totalizam R$ 6,3 bilhões desviados de aposentados e pensionistas.
O modus operandi era sofisticado: associações fraudulentas inseriam dados falsos nos sistemas do INSS, criando descontos indevidos nas aposentadorias e pensões de milhões de brasileiros. O dinheiro era então canalizado para contas controladas pela organização criminosa. O esquema funcionou por anos, vitimando os cidadãos mais vulneráveis – idosos aposentados que dependem de suas pensões para sobreviver.
O ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, foi preso como parte da operação, assim como outros servidores de alto escalão, empresários e dirigentes de confederações associativas. A magnitude do esquema levou à criação de uma CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) específica para investigar a “Farra do INSS”.
Segundo o relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), a próxima fase das investigações mirará diretamente o sistema financeiro, onde se concentram operações de empréstimos consignados que somam quase R$ 500 bilhões em cinco anos. E é exatamente neste ponto que a conexão com Lulinha se torna ainda mais explosiva: se o filho do presidente tinha sociedade oculta com o articulador principal do esquema, ele não era mero beneficiário passivo de mesadas, mas potencialmente parte ativa da organização criminosa.
A Convocação Bloqueada e a CPMI Esvaziada
Imediatamente após as revelações sobre os pagamentos ao “filho do rapaz”, o relator da CPMI protocolou requerimento para convocar Lulinha a prestar depoimento perante a comissão parlamentar na posição de testemunha. Alfredo Gaspar foi categórico: “Elementos para a convocação existem e ninguém está acima da lei.”
Mas a convocação nunca foi apreciada em 2025. Por quê? Porque a “tropa de choque” do governo Lula na CPMI, composta por nomes como o ex-ministro Paulo Pimenta (PT-RS) e os senadores Omar Aziz (PSD-AM) e Randolfe Rodrigues (PT-AP), atuou decisivamente para blindar aliados e evitar desgaste político do Planalto.
O professor de Ciência Política Nauê Bernardo Azevedo, do Ibmec Brasília, observou que “a avalanche de eventos políticos que ocorreu no Brasil acabou tirando o espaço da comissão na mídia. O andamento da CPMI não despertou o interesse esperado.” Esta é forma polida de dizer que a grande mídia, politicamente alinhada, optou por não dar destaque a investigação que poderia comprometer gravemente o governo.
A CPMI foi prorrogada para 2026, com previsão de continuidade até março. O senador Carlos Viana antecipou que a próxima fase vai mirar o sistema financeiro e que “agora começa a parte que mais vai doer”. Será que desta vez Lulinha será convocado? Ou a blindagem política continuará impedindo que o filho do presidente preste contas de sua relação com o maior esquema de fraudes previdenciárias do país?
O Abandono da Testemunha: Quando Denunciar Vira Maldição
Um dos aspectos mais chocantes revelados na entrevista concedida pela testemunha ao Metrópoles é o completo abandono por parte das autoridades. O ex-funcionário do Careca que colaborou com as investigações relata:
“Quando estive na PF para colaborar me foi ‘prometido’ – vou repetir, ‘prometido’ – que meu nome não seria divulgado! E que seria protegido frente às investidas do Antonio (Careca do INSS), pois recebi uma ameaça de morte dele, pois ele sabia do poder de colocá-lo na cadeia. Até o momento estou sem essa proteção e sem a defesa prometida!!”
O testemunho continua:
“A PF, a CPMI e o STF demoram na decisão de como irão me proteger e defender ao ataque judicial, financeiro e mental que o Antonio tem feito comigo.”
A testemunha relatou ter perdido cerca de 15 quilos desde que rompeu com o Careca e passou a colaborar com a Polícia Federal. Sua vida virou “um inferno”, segundo suas próprias palavras. Recebe ameaças, sofre ataques judiciais e financeiros, mas as autoridades que se beneficiaram de suas informações para conduzir investigações o deixaram à própria sorte.
Este padrão de descaso com testemunhas que colaboram com a justiça é característico do sistema brasileiro. Prometem-se proteção e sigilo, mas quando a testemunha se torna inconveniente – revelando conexões de filhos de presidentes com esquemas bilionários – as promessas evaporam. O resultado previsível é que outras testemunhas potenciais observam o destino de quem ousou falar e decidem permanecer em silêncio.
A Blindagem Midiática: O Silêncio Ensurdecedor
Enquanto qualquer suspeita minimamente plausível envolvendo filhos de políticos de direita resulta em cobertura obsessiva por semanas, transformando acusações em condenações prematuras, o caso Lulinha recebe tratamento radicalmente diferente da grande mídia.
As revelações sobre mesadas de R$ 300 mil, antecipação de R$ 25 milhões, sociedade oculta em empresas de cannabis medicinal, viagens conjuntas com intermediária que recebe R$ 1,5 milhão do lobista, e lobby no Ministério da Saúde deveriam estar nas capas de jornais e revistas, nos principais telejornais, nos programas de debate. Mas não estão.
A cobertura existe, sim, mas em tom notavelmente mais cauteloso. Não há manchetes escandalosas, não há capas com fotomontagens acusatórias, não há comentaristas pedindo “investigação rigorosa” ou “punição exemplar”. A mesma mídia que dedicou anos de cobertura histérica ao “triplex do Guarujá” e ao “sítio de Atibaia” trata o caso Lulinha com luvas de pelica.
Esta seletividade não é acidental. Grande parte da mídia brasileira depende de verbas publicitárias governamentais, concessões públicas de rádio e TV, e outros benefícios que podem ser concedidos ou retirados conforme a orientação política da cobertura. O resultado é autocensura disfarçada de “jornalismo responsável”.
As Provas Físicas: Ingressos, Agendas e “Mínimas Informações Possíveis”
Para além de depoimentos e mensagens, a Polícia Federal apreendeu documentos físicos que adicionam camadas de materialidade às acusações. Uma anotação em agenda encontrada durante as buscas traz referência direta:
“Fábio (filho Lula)”
A anotação estava ao lado de informações sobre credenciais para acesso a camarote em show realizado em Brasília. O registro incluía orientações específicas sobre como minimizar a exposição do envolvimento de Lulinha:
“Mínimas informações possíveis. CPF – Fábio (filho Lula). Terça a quinta-feira. 03 a 05/12.”
A instrução “mínimas informações possíveis” revela consciência de que havia algo a esconder. Se a relação fosse legítima e transparente, por que a necessidade de minimizar informações sobre a participação de Lulinha?
Roberta Luchsinger, após a deflagração da Operação Sem Desconto em abril de 2025, demonstrou preocupação com materiais que poderiam expor a conexão. Em mensagens ao Careca, ela mencionou especificamente “envelope ingresso para show”, alertando que a PF havia apreendido material que citava “nosso amigo”.
A Entrega de “Medicamento” no Apartamento de Lulinha
Outro detalhe revelado pelas investigações: em dezembro de 2024, mensagens em posse da PF mostram que o Careca do INSS mandou entregar um “medicamento” para o apartamento onde Lulinha morava em São Paulo. A encomenda foi endereçada a Renata Moreira, esposa de Lulinha.
O uso de aspas em “medicamento” nas mensagens sugere que poderia se tratar de código ou eufemismo. Dado que o Careca tinha envolvimento com empresas de cannabis medicinal, a entrega poderia estar relacionada a este negócio. Ou poderia se tratar efetivamente de medicamento. Mas a questão é: por que o principal articulador de esquema bilionário de fraudes no INSS está enviando “medicamentos” ao endereço residencial do filho do presidente?
Procurado à época pela imprensa, Lulinha declarou desconhecer o assunto. Sua defesa afirma que ele “não nega a relação de amizade que tem com Roberta”, mas nega qualquer conexão com os negócios do Careca ou com fraudes no INSS.
A Viagem para Portugal: Expandindo Negócios ou Passeio de Amigos?
Uma das viagens conjuntas de Lulinha e Roberta Luchsinger foi de São Paulo para Lisboa, Portugal, em junho de 2024. A viagem coincide temporalmente com planos do Careca do INSS de expandir negócios de cannabis medicinal para Portugal.
Coincidência? Ou viagem de negócios onde o filho do presidente acompanharia movimentações relacionadas à expansão internacional de empresa da qual seria sócio oculto?
A defesa alega que se tratava de viagem “pessoal” entre “amigos”. Mas amigos normalmente pagam suas próprias passagens. O código localizador compartilhado indica que alguém comprou as passagens para ambos. Quem pagou? Foi o Careca do INSS, usando os bilhões desviados de aposentados brasileiros para financiar viagens internacionais do filho do presidente?
Conexões com Outros Escândalos: O Padrão Lulinha
O envolvimento de Lulinha com figuras questionáveis e esquemas suspeitos não é novidade. Durante o primeiro e segundo governos de seu pai, o filho do presidente esteve envolvido em diversas polêmicas:
Gamecorp e Telemar: Em 2004, Lulinha vendeu sua participação na Gamecorp, empresa de games, para a Telemar (posteriormente Oi) por R$ 1,6 milhão. A empresa tinha faturamento irrisório, e a compra foi vista como forma de canalizar recursos para o filho do presidente.
Caso Bancoop: O banco cooperativo controlado por sindicatos petistas emprestou R$ 3,3 milhões para Lulinha comprar participação societária em empresa. O banco posteriormente quebrou, e os empréstimos nunca foram recuperados.
LulaBier: A empresa de bebidas criada por Lulinha recebeu investimentos de empresários com interesse em contratos governamentais.
O padrão é consistente: empresas do filho do presidente recebem investimentos despro porcionais ao seu tamanho ou potencial real de mercado. Empresários com negócios governamentais ou interesse em acessar o poder compram participações ou prestam “serviços” superfaturados. E quando os esquemas são descobertos, alega-se que “foi tudo legal” ou que “o filho tem vida própria”.
A Estratégia de Defesa: Atacar a Testemunha, Ignorar as Provas
Diante do volume esmagador de evidências, a defesa de Lulinha adotou estratégia previsível: atacar a credibilidade da testemunha e alegar que “não há provas”.
O advogado Marco Aurélio de Carvalho, amigo pessoal de Lulinha e coordenador do Grupo Prerrogativas (organização de advogados alinhados ao PT), afirmou que as suspeitas são “mentirosas” e que “não há nenhuma mensagem, conversa ou prova” relacionando Lulinha aos negócios do Careca.
A afirmação é factualmente falsa. Existem:
- Depoimento de testemunha que trabalhou diretamente com o Careca
- Mensagens ordenando pagamento ao “filho do rapaz”
- Passagens aéreas conjuntas com código localizador compartilhado
- Registros de visitas ao Ministério da Saúde
- Anotações em agendas mencionando “Fábio (filho Lula)”
- Evidências de entregas no endereço residencial
Mas a estratégia da defesa aposta na letargia do sistema de justiça e na complacência da mídia. Se repetir a mentira tempo suficiente, em volume alto suficiente, eventualmente parte significativa da população acreditará. É a tática do big lie aplicada à defesa criminal.
A Proteção do STF e a Morosidade Calculada
O inquérito que apura as fraudes no INSS tramita no Supremo Tribunal Federal. A Polícia Federal comunicou ao STF que apura se Lulinha atuou como sócio oculto do Careca. Mas qual será o destino desta “apuração preliminar”?
Se a história recente é guia, provavelmente será arquivada por “falta de provas” após anos de investigações que não chegam a lugar nenhum. Ou será remetida a instâncias inferiores onde prescreverá. Ou será diluída em milhares de páginas de processos que ninguém lê.
O STF tem demonstrado sistematicamente velocidade diferenciada dependendo do alvo da investigação. Quando se trata de adversários políticos do campo progressista, inquéritos são abertos de ofício, prisões preventivas são decretadas, buscas e apreensões são realizadas com espetacularização midiática. Quando se trata de filhos de presidentes aliados, a “prudência” e o “devido processo legal” subitamente se tornam prioridades absolutas.
Conclusão: A Impunidade Como Política de Estado
O caso Lulinha e o Careca do INSS expõe a farsa do discurso anticorrupção que dominou o Brasil na última década. Não se tratava de estabelecer padrões éticos universais, mas de remover adversários políticos enquanto se construíam novas estruturas de privilégio e enriquecimento ilícito para aliados.
As evidências de que o filho do presidente recebeu mesadas de R$ 300 mil e antecipação de R$ 25 milhões do articulador do maior esquema de fraudes previdenciárias do país são esmagadoras. Múltiplas fontes independentes – depoimento de testemunha, mensagens apreendidas, passagens aéreas, registros de visitas, anotações físicas – convergem para a mesma conclusão: havia relação financeira entre Lulinha e o Careca do INSS.
Mas Lulinha não será investigado adequadamente. Não será convocado pela CPMI para depor. Não terá sua casa alvo de busca e apreensão. Não terá suas contas bancárias bloqueadas. Não será preso preventivamente. Porque no Brasil, há dois sistemas de justiça: um para os filhos do poder, outro para os cidadãos comuns.
A testemunha que ousou revelar a verdade está abandonada, ameaçada, sob ataque. Enquanto isso, Lulinha segue sua vida normalmente, protegido pela blindagem midiática e pela leniência do sistema de justiça.
Os R$ 6,3 bilhões desviados de aposentados e pensionistas são dinheiro real, subtraído de pessoas reais que dependem desses recursos para sobreviver. Se uma fração desse dinheiro foi canalizada para o filho do presidente, ele não é vítima de perseguição política – é beneficiário de esquema criminoso que vitimou os brasileiros mais vulneráveis.
O momento exige que cada cidadão comprometido com a justiça mantenha viva a indignação, compartilhe as informações que a grande mídia suprime, e exija que autoridades façam seu trabalho. Porque uma democracia onde filhos de presidentes podem receber milhões de lobistas que fraudam o INSS sem sofrer consequências não é democracia – é cleptocracia familiar.
Lulinha deve ser investigado, convocado a prestar depoimento sob juramento, ter suas finanças escrutinadas, e responder criminalmente se ficar comprovado seu envolvimento no esquema. Qualquer coisa aquém disso é apenas mais um capítulo da interminável novela da impunidade brasileira.
Referências
Este artigo foi baseado nas seguintes investigações e reportagens:
- “Careca do INSS citava Lulinha ao tratar com parceiros comerciais, diz testemunha” – Metrópoles, 03/02/2026
- “Homem que denunciou Careca do INSS e Lulinha reclama de abandono da PF” – Metrópoles, 02/02/2026
- “Testemunha diz que Careca do INSS usava nome de Lulinha” – Revista Oeste, 03/02/2026
- “PF comunica ao STF que apura se Lulinha atuou como ‘sócio oculto’ do careca do INSS” – Tribuna do Sertão, 07/01/2026
- “Leia em imagens as mensagens sobre Lulinha no caso do INSS” – Poder360, 07/01/2026
- “Pedido da PF para investigar Lulinha dará novo fôlego à CPMI do INSS em 2026” – Gazeta do Povo, 03/01/2026