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15 de Novembro: O Golpe que Derrubou um Império Próspero a Serviço de Escravocratas e Positivistas

O dia 15 de novembro de 1889 é celebrado nos calendários oficiais como o nascimento da República, o fim de uma suposta Monarquia “atrasada” e o início de uma era de “democracia” e “cidadania”. Essa é, possivelmente, a maior fraude da nossa história. A narrativa ensinada nas escolas, de um povo exausto do Império que clamava por um novo regime, é uma ficção grosseira criada para legitimar o que foi, na sua essência, um golpe de Estado. A Proclamação da República não foi um movimento popular, mas uma conspiração de quartel, orquestrada por uma pequena elite de militares positivistas e fazendeiros escravocratas ressentidos, sem nenhuma participação do povo, que, como registrou o jornalista Aristides Lobo, assistiu a tudo “bestializado”.

Neste artigo, vamos desmascarar o mito fundador da República. Demonstraremos que o 15 de Novembro não foi uma evolução, mas uma ruptura traumática que jogou o Brasil no abismo da instabilidade política, da corrupção endêmica e das ditaduras militares. Provaremos que o Brasil não trocou o atraso pelo progresso, mas sim um regime estável, próspero, respeitado internacionalmente e que havia acabado de abolir a escravidão, por uma república oligárquica, instável e fundada sobre a vingança dos ex-donos de escravos. A República não foi um avanço; foi o nosso pecado original.

Os Fatos Históricos: A Conspiração que Derrubou o Trono

No final da década de 1880, o Império Brasileiro, sob o longo e próspero reinado de Dom Pedro II, enfrentava o descontentamento de três grupos minoritários, mas influentes:

  1. Os Militares Positivistas: Uma facção do Exército, especialmente os oficiais mais jovens, sentia-se desprestigiada após a Guerra do Paraguai. Influenciados pelas ideias positivistas de Augusto Comte, que pregavam uma “ditadura republicana” e um governo “científico”, eles viam os políticos civis do Império como corruptos e ineficazes. Figuras como Benjamin Constant tornaram-se os ideólogos do movimento, doutrinando os cadetes da Escola Militar da Praia Vermelha com o desprezo pela Monarquia.
  2. Os Fazendeiros Escravocratas: A base de sustentação do Império, a elite cafeeira do Vale do Paraíba, sentiu-se traída pela Lei Áurea, assinada pela Princesa Isabel em 13 de maio de 1888. A abolição da escravatura, realizada sem a indenização que eles exigiam, foi vista como um confisco de sua “propriedade”. Esses “republicanos de 14 de maio”, movidos pela vingança e pelo prejuízo financeiro, retiraram seu apoio à Monarquia e aderiram cinicamente à causa republicana.
  3. Os Republicanos Históricos: Um pequeno grupo de intelectuais e profissionais liberais que, desde a década de 1870, defendia a República como um sistema de governo inerentemente superior. Eram uma minoria barulhenta, sem qualquer apoio popular significativo, mas que forneceram a justificativa intelectual para o golpe.

Na noite de 15 de novembro de 1889, um boato, espalhado pelos conspiradores, de que o governo imperial havia ordenado a prisão do Marechal Deodoro da Fonseca, um monarquista hesitante e amigo pessoal do Imperador, foi o estopim. Deodoro, manipulado e doente, concordou em liderar as tropas para depor o ministério do Visconde de Ouro Preto. A intenção inicial de Deodoro não era proclamar a República, mas apenas derrubar o gabinete. No entanto, ao longo do dia, a pressão dos republicanos radicais, como Benjamin Constant, prevaleceu. No final da tarde, na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, a República foi proclamada. Dom Pedro II, que estava em Petrópolis, foi comunicado e, para evitar uma guerra civil, aceitou o exílio, partindo com sua família dois dias depois.

Análise Crítica: A Troca do Certo pelo Duvidoso

A propaganda republicana se esforça para pintar o Império como um regime decrépito. A verdade é o exato oposto. O golpe de 1889 interrompeu um dos períodos de maior estabilidade e progresso da história do Brasil.

1. O Fim da Estabilidade e do Poder Moderador: O Segundo Reinado (1840-1889) foi um período de quase 50 anos de paz interna, estabilidade política e liberdade. A Constituição de 1824 havia criado um sistema engenhoso, com o Poder Moderador, que permitia ao Imperador atuar como um árbitro acima das paixões partidárias, garantindo a alternância pacífica no poder entre os partidos Liberal e Conservador. A República destruiu esse sistema e o substituiu pela luta de “tudo ou nada” pelo poder. O resultado imediato foi a ditadura da “República da Espada” de Deodoro e Floriano Peixoto, seguida pela oligárqurica e fraudulenta “República do Café com Leite”. O Brasil mergulhou em décadas de instabilidade, revoltas, golpes de Estado e uma corrupção endêmica que o Império jamais conheceu em tal escala.

Citação Direta de Fonte Primária: A ausência de participação popular foi tão gritante que gerou a frase mais famosa sobre o evento, cunhada pelo jornalista Aristides Lobo, uma testemunha ocular: “O povo assistiu àquilo bestializado, atônito, surpreso, sem conhecer o que significava. Muitos acreditaram seriamente estar vendo uma parada militar.” Isso não é a descrição de uma revolução popular, mas de um golpe palaciano realizado de costas para a nação.

2. O Legado de um Estadista Trocado por Ditadores: Dom Pedro II era um dos monarcas mais respeitados do mundo. Um intelectual poliglota, patrono das artes e das ciências, que se correspondia com os maiores pensadores de seu tempo, como Victor Hugo e Graham Bell. Seu reinado foi marcado pela expansão da infraestrutura, pela solidez da moeda e por um nível de liberdade de imprensa que era frequentemente usado para criticá-lo e ridicularizá-lo, algo que ele tolerava com elegância. A República trocou esse estadista por uma sucessão de generais autoritários e presidentes oligarcas. O Brasil, que era uma potência regional respeitada, tornou-se uma “republiqueta de bananas” instável e endividada.

MITO vs. FATO

O Mito Republicano: A República trouxe a “democracia” e o “voto popular” que o Império negava.

O Fato Histórico: O Império tinha eleições regulares e um parlamento atuante. O voto era censitário (baseado na renda), mas era muito mais abrangente do que se pensa, incluindo homens analfabetos. A Primeira República, ao contrário, instituiu o “voto de cabresto”, onde coronéis locais controlavam os eleitores, e as eleições eram sistematicamente fraudadas pela “degola” (quando as comissões de verificação simplesmente não diplomavam os candidatos de oposição eleitos). Na prática, a República Velha foi muito menos democrática que o Império.

Curiosidades e Fatos Pouco Conhecidos

  • Deodoro, o Republicano de Última Hora: O Marechal Deodoro da Fonseca era um monarquista convicto e amigo pessoal de Dom Pedro II. Ele só concordou em liderar o levante militar para derrubar o gabinete de Ouro Preto, não a Monarquia. Há relatos de que, após o ato, ele teria dito: “Queria que este dia nunca tivesse amanhecido”. Ele foi uma figura trágica, manipulada pelos republicanos radicais.
  • A Bandeira “Cópia dos EUA”: A primeira bandeira da República, usada por apenas quatro dias, era uma cópia quase idêntica da bandeira dos Estados Unidos, com listras verdes e amarelas. A semelhança era tão vergonhosa que foi rapidamente abandonada em favor do desenho atual de Raimundo Teixeira Mendes, que manteve os símbolos do Império (o verde da casa de Bragança e o amarelo da casa de Habsburgo), sobrepondo o lema positivista “Ordem e Progresso”.
  • O Banimento da Família Imperial: O governo provisório republicano não apenas exilou a Família Imperial, mas também os baniu perpetuamente do território brasileiro e confiscou seus bens. A Princesa Isabel, a Redentora, que libertou os escravos, morreu no exílio em 1921, sem jamais poder retornar à pátria que tanto amou. A revogação da lei do banimento só ocorreu em 1920.

Conclusão: As Consequências do Golpe e a Relevância para o Brasil de Hoje

A Proclamação da República não foi um passo em direção ao futuro, mas um mergulho na instabilidade. Ao destruir o Poder Moderador, o golpe de 15 de Novembro nos legou uma república manca, fadada a crises institucionais e à tirania das facções. A história da República brasileira é uma sucessão de golpes, contragolpes, ditaduras, inflação crônica e corrupção sistêmica.

Essa análise não é um mero exercício de nostalgia; é fundamental para entender os problemas do Brasil de hoje. A crise de representatividade, a corrupção endêmica do “presidencialismo de coalizão”, a instabilidade gerada pela briga entre os poderes e o ativismo judicial do STF não são problemas recentes. São consequências diretas do pecado original de 1889. São os frutos podres de uma árvore que já nasceu torta, plantada pela vingança, pela vaidade e pela ideologia, contra a vontade de um povo que nada pediu.

Estudar a verdade sobre a Proclamação da República é entender que o Brasil já teve um sistema político que, com todos os seus defeitos, funcionava. Um sistema que garantia estabilidade, liberdade e progresso. O golpe de 15 de Novembro nos tirou esse caminho e nos jogou em um labirinto do qual, há mais de 130 anos, não conseguimos encontrar a saída. Reconhecer esse erro histórico é o primeiro passo para que possamos, um dia, discutir seriamente as alternativas para o futuro institucional do Brasil.

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